The Warrior



You win some, you lose some.
But you survive.
And you come out stronger in the end.
You adapt and you overcome.

O Oleiro


Adeus, Sr. José Franco.
Obrigado por partilhar a dádiva das suas mãos, da sua imaginação e do tamanho desmesurado do seu coração.

Pão de Forma


Dizes que queres alugar um Pão de Forma.
E conduzir em direcção ao infinito.
Viver o que não vivemos.
Sentir a adrenalina, os dias, as noites.
Mudar.
Voltar atrás, andar para a frente.
Sonhar acordada.
Acordar do sonho.
E de repente percebes que estou aqui.
Que sempre estive.
E que sempre vou estar.
Com ou sem Pão de Forma. Com ou sem despertares.

Geocacher




Hoje tornei-me oficialmente uma Geocacher. É uma Caça ao Tesouro na versão optimizada e globalizada das brincadeiras de criança. Tive direito a chuva, a correrias, a descobrir caches escondidas em muros, camufladas no meio da Mata, a trocar tesouros triviais e a deixar mensagens em log books. Ainda tive direito a trocar dois dedos de conversa com outros geocachers quando menos esperava.

Mas melhor, muito melhor que isso, tive direito a sentir-me como uma criança.

Em algumas culturas, há quem por estes dias ande à procura de ovos da Páscoa. Eu fui à procura de caches.

Geocaching is an outdoor treasure-hunting game in which the participants use a Global Positioning System (GPS) receiver or other navigational techniques to hide and seek containers (called "geocaches" or "caches") anywhere in the world. A typical cache is a small waterproof container (usually a tupperware or ammo box) containing a logbook and "treasure," usually toys or trinkets of little value. Currently over 823,000 geocaches are registered on various websites devoted to the pastime. Geocaches are currently placed in over 100 countries around the world and on all seven continents, including Antarctica.
From Wikipedia


Trails of troubles,
Roads of battles,
Paths of victory,
We shall walk.


Bob Dylan

Saltos

Saltava. Não chegava muito alto. E logo regressava ao chão com a inevitável gravidade a puxá-lo de volta à verdade.
Depois inspirava, de olhos fechados. Abria ligeiramente os braços e saltava novamente.
Regressava ao chão com um ligeiro sorriso e o cabelo em desalinho.

- O que é que estás a tentar fazer?
- Voar.
- Voar...?
- Sim, voar.
- Lamento desiludir-te mas realmente faltam-te as asas.

Novo salto.

- Nunca saberás se não tentares. Quem sabe se elas não crescem quando menos se espera?

Pensei durante dois segundos. E saltei como nunca tinha saltado antes.

Domingo



Há dias em que a vontade, por si só, não chega.
Muito menos o desejo.
Dias em que tudo se conjuga perfeitamente. A cor do céu, o calor do sol, a brisa do rio. E as árvores ondulam aos primeiros acordes da Primavera. E a pele anseia por se passear por aí.
Dias em que é Domingo. Dias em que não é, mas é como se fosse Domingo.
Dias em que há sorrisos a caminho.
E então a vontade torna-se maior e o desejo adensa-se.
E tudo parece melhor. Do canto das árvores ao azul perfeito do céu.
E é mesmo Domingo.
E hoje, isso é tudo o que importa.

Up



O sentimento do dia de hoje: up.
Em direcção ao sol, em direcção ao céu.
Com direito a chuva quente no fim da tarde.
E a uma sensação de tranquilidade como há muito não sentia.

...



Finalmente chegaste.
O tanto que eu esperei por ti, aqui sentada, eternamente em espera, entre estações. Olhei e olhei os cartazes afixados. Todos ridiculamente desactualizados.
Alguém se lembrou de escrever direito por linhas tortas e saber que vou voltar a ter-te aqui e que vais voltar a sentar-te ali e vais voltar a escrever. Direito, por linhas tortas. Pelas linhas tortas da palma da minha mão e da minha pele quando a noite cai e não conseguimos mais resistir-nos.
E contigo vem o morno da tarde e os diferentes tons de azul do mar.
Finalmente.
Chegaste.

Alter Egos

O desafio estava lançado.
Cartas na mesa.

Como dizer não a alguém que nos desafia a dar um novo mergulho?
Respirei fundo...
A ver vamos onde estes sonhos vão parar.

Acompanhem.
http://sonharacordadas.blogspot.com

Mosaico



Como é que se regressa?
Como é que se retorna à realidade, à normalidade?

Foi isto que eu pensei ao tocar o chão. Inspirei fundo, ganhando coragem para mergulhar de novo. E, súbita e inesperadamente, a resposta surgiu muito claramente no meu espírito.

Regresso com o coração cheio e a ser muito mais do que era antes.

Beautiful day


Quem ler isto vai maldizer-me, amaldiçoar-me, invejar-me e, acima de tudo, ficar muito feliz por mim.
Escrevo a pouquíssimas horas de levantar voo novamente, rumo a uma nova cidade à espera que eu descubra cada recanto.
Queria escrever algo realmente significativo e interessante. Mas o mais que consigo agora dizer é que, depois de um longo dia repleto dos sorrisos das pessoas importantes na minha vida, sinto que (finalmente) it's a beautiful day.
E não, não o vou deixar escapar.
Até já.

O teu aniversário



Chegou e sentou-se no mesmo banco que eu. Trazia um meio sorriso no rosto e uma máquina fotográfica na mão. Depois, metódica e calmamente, pousou-a, descalçou as botas, levantou-se, deu dois passos em frente e deu um salto de gigante.
Levantei, definitivamente, os olhos do jornal. Fiquei a ver aquela rapariga a afastar-se, em direcção ao mar. A dada altura correu e saltou sob o sol, como uma criança, depois molhou os pés e sentou-se à beira-mar a sorrir muito. Eu aqui fiquei, sentado, de jornal na mão, de queixo caído, roído de inveja. Ao meu lado deixou, altivas, as botas...e enterrou os pés na areia.

Foi a melhor prenda de anos que eu poderia ter recebido.

"You get what you need"


Encurralaste-me. Encostaste-me à parede. Sem meias medidas colocaste todas as questões, puseste o dedo em todas as feridas e obrigaste-me a pensar em cada pormenor mais ínfimo. Forçaste-me a ver que há que voltar a traçar metas, definir objectivos, dar pequenos passos em frente. Este é o primeiro.

Estava no fundo e, da maneira mais simples e inesperada, agarraste-me a mão e puxaste-me para cima. Um dia, Tom Waits disse: "sabias que, estando no fundo de um poço, mesmo assim consegues ver as estrelas?". Não só me obrigaste a ver que as estrelas continuam a brilhar lá no alto (as pequenas trivialidades que fazem toda a diferença na vida mas que com o passar do tempo tendemos a menorizar), como, ao sair de ao pé de ti, tudo parecia subitamente iluminado. Ainda que já fosse noite cerrada tudo tinha outra luz (ou talvez fosse apenas a mesma luz de sempre e tu trocaste as lâmpadas fundidas).

Afinal, até é capaz de ser uma coisa boa ter um coração que sente assim tanto e uma cabeça que pensa demais. Porque neste coração ocupas um espaço bem grande e hoje ajudaste-o a bater com mais intensidade.

Lista de prendas

A pedido de várias pessoas aqui fica a lista de possíveis prendas:
- Um cérebro novo
- Uma camada epidérmica mais resistente para aguentar melhor os golpes
- Vários Filtros Verbais (que distribuirei de forma justa por todos aqueles que teimam em não ter filtro entre o cérebro e a boca)
- Um Botão Silenciador Universal
- Uma almofada ergonómica da marca Insomnia Killer
- Um Descodificador de Entrelinhas

Brutal



"There's something wrong with me chemically
Something wrong with me inherently
The wrong mix in the wrong genes
I reached the wrong ends by the wrong means
It was the wrong plan
In the wrong hands
With the wrong theory for the wrong man
The wrong lies, on the wrong vibes
The wrong questions with the wrong replies"
Wrong, Depeche Mode
Realizado por Patrick Daughters

Sinto muito


Sei que vais ler isto. E sei que vais compreender porque, uma vez mais, é esta a melhor forma que encontro para chegar até ti. Porque no passado isso já aconteceu. Porque muita coisa mudou, muito tempo passou, mas eu continuo aqui. Da melhor forma que sei, da melhor forma que consigo. Mas sempre, incondicionalmente, aqui.

Go or go ahead


Abri a porta para o silêncio. As luzes apagadas. Apenas uma janela aberta a deixar escorrer para dentro de casa a luz mortiça e intermitente do candeeiro da rua.
Acendo, agora, os interruptores à medida que avanço em cada divisão, à tua procura. Sobre a mesa está um papel, a escrita firme, quase serena:

Ninguém tem que me ouvir. As minhas dores, a repetição exaustiva dos meus dias e da forma como, lentamente, desapareço sob camadas de sonhos mortos pelas desilusões e pelo cansaço.
Ninguém tem a obrigação de ver as minhas lágrimas, a minha descrença e a minha insegurança. Não sou de ninguém. Aprendo, da pior maneira, a tentar ser sozinho. À medida exacta e na mesma proporção com que as paredes e as mãos dos outros se fecham ou afastam de mim.
Mas não sei ser sozinho.
Não consigo ser sozinho.
Não quero ser sozinho.
E a angústia somada de todos estes silêncios, mais e mais profundos, caem como o pano no último acto.


Mas não podias estar mais errado. Saio porta fora. Não me preocupo (como sempre faço) em apagar todas as luzes e fechar bem a porta.
Sei exactamente onde estás e vou chegar até ti. E vou mostrar-te que estás errado. Os teus sonhos não morreram: juntos vamos dar-lhes vida.

What a difference a day made...


Há dezenas de Homem-Aranha, um ou outro Super Homem. Princesas são poucas e fatos originais e home made contam-se pelos dedos de uma mão.
Depois há os milhares que se arrastam debaixo do sol sem olhar sequer duas vezes para o mais extraordinário espectáculo que têm ali mesmo ao lado.
Por entre encontrões e tentativas de furar caminho, decido virar costas às máscaras: às dos miúdos e às daqueles que as usam todos os dias.
Prefiro, sem duvidar por um segundo, isto:

Para o infinito...e mais além!


Começo a fazer planos. A acreditar que é mesmo verdade, que vai acontecer.
Preparo os passos que vou dar, o que o meu olhar vai percorrer.
Preparo-me para, em breve, levantar voo novamente.
O destino é diferente. Os sonhos são os mesmos.
Levo-os na bagagem.
Até lá...faço planos.

Feeling Good


Olho para o teu corpo no chão e sinto liberdade a correr-me pelas veias. A arma que tenho na minha mão é de um metal frio que me confirma a realidade. Ainda bem. Estava com medo que fosse só um sonho.
Na aparelhagem, os Muse tocam “Feeling Good”. Gostavas tanto de ouvi-los. Ficavas numa espécie de transe e deixavas os acordes fortes correrem por ti como corrente eléctrica. Ou talvez fosse só o efeito do pó branco a chegar ao teu sangue, ao teu coração, a turvar-te o olhar. Gostavas de arranjar essas desculpas patéticas para me empurrares de um lado para o outro com as tuas palavras ou com as tuas mãos. Agora já não te podes rir de cada vez que ouvires esta música (porque agora sou eu que sorrio quando a oiço). Nem podes entrar mais em mim.
Não estás morto, mas para mim é como se estivesses porque o meu medo morreu e por isso tu também. E tu sabes disso.
Gostava de saber como é que vais explicar nas urgências que levaste um tiro na perna. E que estavas com muito medo de mim quando isso aconteceu.

Consumismo



Sinto-me uma consumista sem alma rodeada de milhares de pessoas que se atropelam para passar à frente de alguém na fila para a caixa.
Compro um filme.
Compro uma revista de música.
Compro um Caffè Mocca Branco.
No fundo, no fundo, estes caprichos alimentam-me a alma. Pelo menos, parece-me ser uma boa desculpa.
Regresso a casa com dois sacos, 350 calorias a mais e feliz. Bastante feliz.

No carro, som no maximo


Superstition, Stevie Wonder

Crash into me



(Nota: há algum tempo atrás descobri que, ao ouvir esta e aquela música, nasciam em mim pequenas histórias. Ao som de Crash Into Me, de Dave Matthews Band, nasceu esta...)
Olho pela montra e sei que já não vou a horas de passar por ti. De certeza que o lugar no metro ao lado do teu não vai estar vazio, mas de qualquer forma já não te consigo apanhar. Ontem foi diferente. Consegui sair da loja dois segundos depois de cruzares a esquina ao cimo da rua. Vinhas, como sempre, com o teu livro na mão e a tua música nos ouvidos. Ainda pensei em sorrir-te mas não fui capaz. Olhei para o relógio e pus-me a caminho da estação de metro, mal contendo a vontade de olhar por cima do ombro para te poder ver. O mais difícil é conseguir ficar ao teu lado, atrás de ti, à tua frente, onde quer que seja desde que esteja perto de ti, sem que repares que o faço de propósito. Farto-me de pensar se não terás já reparado que o faço. É tão óbvio.

A viagem não é longa mas tento, cada dia em que viajo ao pé de ti, ver um novo pormenor que ainda não tinha reparado. Mata-me de curiosidade não saber que música estás a ouvir. Gosto de pensar no que poderás estar a ouvir de acordo com o teu semblante. Um ligeiríssimo sorriso, um imperceptível abanar de cabeça ao compasso da música, o olhar perdido no vazio dos túneis do metro. Depois vejo-te levantar e sair e nem quero acreditar que sonho acordado todos os dias da semana. Devia ter idade para ter juízo, já tenho idade para me chegar ao pé de ti e inventar um pretexto qualquer para falar contigo.

Sonho acordado enquanto registo os preços no balcão da loja. Faço esquemas mentais, planos inconsequentes e conversas que poderíamos ter. Passo os dias assim, entre etiquetas de preços – “é para oferecer?” – e deambulações que me levam até mais perto de ti.

Já no final da Primavera, o que começou por ser uma manhã soalheira descambou num meio dia quente e nublado e acabou num final de tarde ventoso que rebentou num dilúvio. As ruas de Lisboa são lavadas pela chuva e uma senhora de idade passa por mim a dizer “já ninguém pode confiar no tempo…já não há estações do ano”. A mesma senhora levava umas sandálias ortopédicas abertas e os pés, por certo, já encharcados. Tentava cobrir, em vão, a permanente que fez, com toda a certeza, nessa tarde, com um folheto de propaganda de um hipermercado qualquer. Eu reparava nestes pormenores enquanto me preparava para encarar, sem chapéu-de-chuva, o caminho até à estação de metro. As várias poças de água pelo caminho requeriam toda a minha atenção e capacidade de manobra para conseguir evitá-las e escapar ainda aos rios que escorriam das goteiras dos prédios. Só queria chegar a casa. Faltava pouco para chegar à estação de metro, “uns 100 metros e já está” – pensava eu – mas o sinal para peões ficou vermelho. Devo ser das poucas pessoas que não atravessa a estrada quando o sinal fica vermelho. E, assim, ali fiquei. Parado. Á chuva. A pensar na ruína em ficaria a minha roupa.

Depois a chuva parou de cair. Mas deixou de cair apenas sobre mim, porque à minha volta tudo continuava igual. Uma coisa já sei sobre ti: és uma mulher precavida, não te esqueceste do chapéu-de-chuva. Retiraste-o da tua mala – dessas cujo conteúdo é um universo fascinante de prescindíveis e imprescindíveis – abriste-o sob a chuva e, ao chegar ao sinal vermelho, paraste ao meu lado – tão perto – e puseste-o sobre mim.

Éramos dois estranhos sob um pequeno chapéu-de-chuva preto, nessa tarde. Olhámos um para o outro e sorriste para mim. No fim, foste tu que escolheste chocar comigo.

Conta-me tudo

Fecha a porta. Senta-te aqui, ao meu lado, e conta-me o teu dia. Sente as tuas dores e as tuas angústias aqui, ao alcance da minha mão, à distância do meu abraço.
Faz com que estas quatro paredes encolham sobre nós, enclausurem os nossos segredos feitos de sonhos e promessas. E deixa-me olhar-te e ficar em silêncio por saber que enfim estás bem, enfim estás em casa. Mas oiço-te, oiço-te sempre e partilho os teus sonhos e as tuas aventuras. Sinto-te perto, sinto-te aqui e sinto que os teus olhos abarcam todo um mundo de possibilidades.
Fecha a porta. Fecha os olhos. Dorme, agora, porque amanhã será outro dia em que farás parte do meu mundo.

Are You There?


Pessimista. Por natureza. Regida pela Lei de Murphy: tudo o que de pior puder acontecer, acontecerá. Na pior altura possível. Da pior forma possível.

Antes assim. A partir daí é sempre a subir.
E continuar a procurar.

Há muito tempo atrás

Chegaste ao pé de mim com as mãos vazias. Trazias nos lábios o cansaço dos dias e por isso não falaste.
O teu olhar estava desiludido, triste com o que o mundo teimava em te não dar.

Nunca irás conseguir ver para além de ti mesmo.
Nunca saberás do que és capaz.
Nunca descobrirás o teu valor.

Vives a olhar para o que já aconteceu.
Perdes o tempo, ele escapa-te pelas mãos.
E, por isso, chegaste ao pé de mim com as mãos vazias.

Trainspotting

Junto duas das minhas paixões - música e 7ª arte. Perfeição.
Aqui fica, para recordar, uma das melhores aberturas cinematográficas de sempre.
Trainspotting, 1996, de Danny Boyle

The Beatles


Há quarenta anos atrás, no topo do edifício da Apple, sede da editora dos Beatles, fazia-se história. No coração londrino, Os Fab Four despediam-se do mundo como melhor podiam fazê-lo - com música. Chegaram, tocaram, fizeram estragos suficientes para que muitos bobbies fossem chamados a Saville Row, devido às queixas dos senhores de chapéus de coco, sobretudos e gravatas sobre aquele barulho ensurdecedor. A polícia acabou apenas por pedir que baixassem o som dos amplificadores.
Foi o princípio do fim da banda. A grandeza, essa, permanece até hoje.

O infinito à minha frente


Estendo o olhar até onde o mar e o céu se encontram.
Escondo-me por trás de uma lente, encolho-me dentro do calor da roupa e tento captar o momento perfeito em que não existe mais ninguém.
Só o vento a cortar-me a pele, a estrada deserta atrás de mim,o abismo a um passo.
Fixo o momento.
Mas só partilhado descubro que ele faz qualquer sentido.