Nem o longe.
Nem o vento.
Quantas vezes te sonhei?
Quantas mais te procurei sem saber sequer procurar-te?
on 15 setembro 2009
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Tenho saudades de trepar às figueiras para apanhar os figos mais doces, lá no topo.
Saudades das ondas daquela praia.
Saudades do sal a arranhar o corpo a caminho de casa e de tomar banho de água fria porque a quente não chegava para todos.
Saudades de sair à noite e percorrer as mesmas ruas e de me deitar e não ouvir senão o barulho ensurdecedor dos grilos e o ladrar dos cães.
E de ver o céu de estrelas como em mais nenhum lugar.
E de saber que no dia seguinte repetia tudo outra vez.
on 13 setembro 2009
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Domingo.
Alentejo.
Encharcada e vinho tinto.
Um sorriso ao meu lado.
Um sorriso à minha frente.
E uma boa parte do meu pequeno mundo aqui mesmo à minha beira.
Hell, yeah!
on 09 setembro 2009
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Olhei discretamente por cima do ombro.
Apurei o ouvido.
Que raios...?!
Mas à minha volta, nada de estranho. Um mexia o café apressadamente, outro lia o jornal, outro mexia no telemóvel...
Mas de onde é que vem esta música?, pensei.
Vinha da minha mala. O raio da agenda acompanha-me desde o início do ano.
E hoje decidiu que era o dia certo para cantar isto:
on 05 setembro 2009
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"...try to ignore
All this blood on the floor
It's just this heart on my sleeve that's a bleeding."
on 30 agosto 2009
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Tinha sido apenas um passo em falso.
Um movimento mal calculado.
Um pé que tinha resvalado, deixando em tensão todos os outros músculos para aguentar a pressão.
Mas tinha sido o suficiente para trazer de volta a vertiginosa presença do abismo.
Escalamos montanhas todos os dias.
Mas esquecemo-nos quase sempre do arnês de segurança.
Não ficamos surpreendidos.
Antes ficamos agradecidos quando sabemos que temos alguém a olhar pelo nosso sistema de segurança, a verificar cada nó, a dizer “tu sabes que consegues escalar mais esta montanha”.
Quando esse alguém não nos deixa cair.
Norte
on 23 agosto 2009
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Falas do Sul. E eu respondo-te:
norte, s.m.ponto cardeal situado na direcção da Estrela Polar, considerado o ponto de orientação de referência e designado pelo símbolo N; vento que sopra desse ponto; pólo árctico;[com maiúscula] região ou regiões setentrionais; figurado: destino, guia, rumo, direcção.
Porque é o norte que orienta bússola.
Porque é a norte que o vento corre mais fresco e cria correntes de ar por nós adentro, que limpam os quatro cantos do coração.
Porque se rumamos a sul, é porque podemos voltar as costas ao norte, sabendo que o seu magnetismo, cedo ou tarde, nos voltará a atrair...por muita deambulação que façamos pelos outros pontos cardeais: o caminho certo será sempre para lá.
Frágil
on 19 agosto 2009
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Pega-se numa caixa de cartão.
Usada porque, como se sabe, se já suportou outros pesos e caminhos é porque com toda a certeza aguenta mais um.
Começam a retirar-se coisas das prateleiras e dos armários. Protegem-se para aumentar a probabilidade de chegarem salvas ao destino.
Pouco a pouco, enche-se a caixa com o tudo e o nada que não podemos deixar para trás.
Fecha-se a caixa. Escreve-se "Frágil".
E é isso que ela leva consigo: a fragilidade dos laços humanos e da nossa luta por mantê-los.
Usada porque, como se sabe, se já suportou outros pesos e caminhos é porque com toda a certeza aguenta mais um.
Começam a retirar-se coisas das prateleiras e dos armários. Protegem-se para aumentar a probabilidade de chegarem salvas ao destino.
Pouco a pouco, enche-se a caixa com o tudo e o nada que não podemos deixar para trás.
Fecha-se a caixa. Escreve-se "Frágil".
E é isso que ela leva consigo: a fragilidade dos laços humanos e da nossa luta por mantê-los.
on 16 agosto 2009
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Ontem, a contrariar os últimos tempos.
Aproveitei todos os minutos do dia.
E da noite.
Preenchi-os.
Ontem foi um dia bom.
E eu fui feliz.
on 15 agosto 2009
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Ponho a música nos ouvidos. Na cabeça. No coração.
Tudo à volta se cala.
Na areia que aquece,
no mar que, incessante, estremece,
todos se movem ao ritmo do meu som.
E o som sobe - a temperatura também - e sinto que cada grão de areia está exactamente onde deveria estar. E cada olhar pousa exactamente no centímetro de pele onde não devia pousar.
Da praia vazia resta uma vaga ideia (e uma foto também).
Todos se movem agora sob o círculo perfeito da minha música. Todas as ondas acertam o compasso. A ínfima brisa desafia, em vão, o rebordo de cada chapéu de sol.
Inacreditável...
Que toda a energia que emana do sol e do mar pareçam entrar-me pela pele adentro.
Há quanto tempo não te sentia assim?
E as saudades deste sabor?
Da leveza do corpo suspenso no infinito à minha frente.
E o frio da água quando mergulho de cabeça, poucos segundos depois de ter apenas molhado a ponta dos pés.
Nunca gostei de esperar quando estou frente ao mar.
O desejo é demasiado para esperar que todas as ondas passem ou que deixe de sentir o arrepio.
Vou pousar a caneta. Vou só ali ao mar e já volto.
on 13 agosto 2009
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The worst part of having too much time on your hands is that you end up procrastinating.
And you end up thinking of all the things you shouldn't be thinking of in the first place.
Too much. Too often.
on 11 agosto 2009
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Em vez da silly season, a lazy season.
Em que o corpo se arrasta na beira do calor,
a mente divaga por caminhos lânguidos e quentes,
a música derrapa em repeat,
os pés pousam em sítios interditos,
e o coração também.
on 07 agosto 2009
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Uma vez mais, a tentar tecer uma teia impossível e improvável.
A contar pelos nós dos dedos, a desfiar o novelo das horas.
O regresso
on 01 agosto 2009
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O dificil é, por osmose, absorver a limpidez destas águas, destas paragens, destes dias e, no regresso, levar as certezas de volta.
on 30 julho 2009
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Come gather 'round people
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.
Bob Dylan
Wherever you roam
And admit that the waters
Around you have grown
And accept it that soon
You'll be drenched to the bone.
If your time to you
Is worth savin'
Then you better start swimmin'
Or you'll sink like a stone
For the times they are a-changin'.
Bob Dylan
on 21 julho 2009
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People moving all the time inside a perfect straight line.
Don't you wanna curve away?
on 19 julho 2009
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A música que nos eleva.
Que nos deixa sem voz.
Que nos dá força sobre-humana.
Que nos faz voar,
sonhar,
viver,
exorcizar demónios,
roçar o céu.
Na manhã, seguinte, já de pés na terra e dores no corpo...
não sei viver sem este vício,
sem a doce ressaca do dia seguinte em que sabemos que valeu a pena.
Lei da Compensação
on 16 julho 2009
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Posso só chegar até ao final do dia?
Despir a pele e lavar o destino?
Forçar-me a acreditar que tudo vai ser possível outra vez?
Help me get down, I can make it, help me get down
If I only knew the answer and if all our days are numbered
Why do I keep counting?
on 12 julho 2009
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No Alentejo, Baixo, profundo, calam-se hoje as vontades.
Amordaçam-se os desejos e escolhe-se o conforto do círculo da mesa, da quadratura do horizonte vista desde a planura sem fim deste recanto da solidão.
E esta noite, sob um cobertor de estrelas, os sonhos serão quentes, impulsionados pela graduação e o sono agitado por uma cama que não é minha.
Faço-a onde quiser.
O escape em estar além, num fim do meu pequeno mundo.
E uma gota de suor a abrir caminho ao que há-de vir.
Insónia
on 11 julho 2009
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No silêncio de uma noite branca, enfrento, altiva, a Insónia que se aproxima.
Traz o ar insolente de quem se sabe senhora de si e do inevitável estado em que deixa os que gravitam no seu círculo mais próximo.
Odeio-a neste momento e apetece-me chamar-lhe muitas coisas:
Cabra.
Devoradora.
Ladra.
Importaste de sair das quatro paredes da minha cabeça?
A sério.
Só queria o sono, pesado, robusto, devastador.
Do fim do dia, do fim do cansaço.
Mas não. A noite estava tão branca que não resististe a sair do canto negro onde, cobarde, gostas de te esconder.
Seja.
Vou vencer-te com um desfiar de palavras.
E só não te ponho no teu devido lugar com dois valentes berros porque o silêncio da noite consegue ser maior do que tu.
Traz o ar insolente de quem se sabe senhora de si e do inevitável estado em que deixa os que gravitam no seu círculo mais próximo.
Odeio-a neste momento e apetece-me chamar-lhe muitas coisas:
Cabra.
Devoradora.
Ladra.
Importaste de sair das quatro paredes da minha cabeça?
A sério.
Só queria o sono, pesado, robusto, devastador.
Do fim do dia, do fim do cansaço.
Mas não. A noite estava tão branca que não resististe a sair do canto negro onde, cobarde, gostas de te esconder.
Seja.
Vou vencer-te com um desfiar de palavras.
E só não te ponho no teu devido lugar com dois valentes berros porque o silêncio da noite consegue ser maior do que tu.
Fé
on 08 julho 2009
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Numa mesa perto de mim, umas senhoras falam apaixonadamente sobre uma qualquer Igreja. Falam no quanto acreditam, nos pilares mais fortes do Edifício e não resisto a ouvi-las (sei que não devia, mas elas falam alto).
No fim, penso que sou também um ser crente. Também tenho a minha Fé.
A minha religião tem muitos pilares. É um Edifício com muitos quartos e janelas abertas para o mundo.
A Família. Os Amigos.
A Música. O Cinema. A Literatura.
As Viagens. Os Sonhos.
E sei que nunca estou sozinha.
E que muitos partilham a mesma Fé.
Pensando bem, acho que não sou assim tão diferente das senhoras da mesa ao lado.
on 05 julho 2009
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A meio de uma conversa banal, ele fechou os olhos e sorriu.
Calou-a com aquele inesperado movimento.
"Faz as malas. Vamos viajar."
Jamais poderia compreender ou imaginar o quanto ela o amava quando lhe dizia isto, quando pegava nela e a fazia voar.
on 01 julho 2009
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...I saw the devil wrapping up his hands
He's getting ready for the showdown...
He's getting ready for the showdown...