Teimosia não é ser-se inteiro.
Teimosia é estar constantemente a apanhar os pedaços de nós de cada vez que caem, despedaçados, no chão.
on 15 agosto 2010
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Podes falar quanto quiseres do estado das ondas, do vento de noroeste.
Dissertar sobre os milénios dos grãos de areia ou das escarpas vertiginosas.
Podes contar-me detalhes maravilhosos sobre a vida aquática, o enorme desconhecido, cavalos marinhos e estrelas do mar.
Não vou interromper-te quando começares a divagar sobre os raios UV, sobre a sombra e as horas certas de exposição solar. Vou deixar que dissertes acerca dos melhores locais, das praias onde todos estão e onde todos devem estar.
Porque, tão simplesmente, nunca conseguirás perceber o prazer que sinto ao entrar no mar.
Dissertar sobre os milénios dos grãos de areia ou das escarpas vertiginosas.
Podes contar-me detalhes maravilhosos sobre a vida aquática, o enorme desconhecido, cavalos marinhos e estrelas do mar.
Não vou interromper-te quando começares a divagar sobre os raios UV, sobre a sombra e as horas certas de exposição solar. Vou deixar que dissertes acerca dos melhores locais, das praias onde todos estão e onde todos devem estar.
Porque, tão simplesmente, nunca conseguirás perceber o prazer que sinto ao entrar no mar.
on 11 agosto 2010
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Juro que já tentei de tudo. Amordaçá-la, amarrá-la, algemá-la, comprimidos para dormir, tentei distraí-la com histórias ridículas e, por fim, dei-lhe um bilhete só de ida para uma praia paradisíaca e longínqua onde pudesse apanhar o sol que quisesse e me deixasse em paz.
Mas não. Continua aqui. Teimosa, perseverante. A aparecer nos momentos mais inesperados, como quando quero manter um fio de discurso coerente, quando preciso de me concentrar ou quando pura e simplesmente quero dormir.
Nem sequer se preocupa em aparecer sorrateiramente. Instala-se, impõe a sua presença e, mesmo calada, consegue tirar-me do sério.
É a única das personagens que trago na minha cabeça que não me obedece.
Ultimamente diz que quer ser a personagem principal da próxima história ou "irão haver represálias".
Juro que já não sei que lhe fazer.
Aceito propostas, ideias, opiniões.
Entrego-a de bom grado a quem lhe queira dar abrigo nos recantos da imaginação ou nas páginas de um livro. Mas não posso deixar de dizer que ela carrega muita bagagem.
Mas não. Continua aqui. Teimosa, perseverante. A aparecer nos momentos mais inesperados, como quando quero manter um fio de discurso coerente, quando preciso de me concentrar ou quando pura e simplesmente quero dormir.
Nem sequer se preocupa em aparecer sorrateiramente. Instala-se, impõe a sua presença e, mesmo calada, consegue tirar-me do sério.
É a única das personagens que trago na minha cabeça que não me obedece.
Ultimamente diz que quer ser a personagem principal da próxima história ou "irão haver represálias".
Juro que já não sei que lhe fazer.
Aceito propostas, ideias, opiniões.
Entrego-a de bom grado a quem lhe queira dar abrigo nos recantos da imaginação ou nas páginas de um livro. Mas não posso deixar de dizer que ela carrega muita bagagem.
on 09 agosto 2010
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O fim de tarde quente dá-me para isto: pensamentos leves, frescos, ao sabor da corrente e da torrente do pensamento.
Dá-me para perceber que gosto de Sumol de ananás porque é uma viagem directa às garrafas verdes de onde o bebia na infância.
Dá-me para gostar de novos temperos e sabores, de conversas novas e de conversas renovadas.Dá-me para deixar para amanhã.
Dá-me para litros de água fresca que não me mata a sede mas que me sabe bem.Dá-me para andar sem rumo à procura da brisa, de uma corrente de ar, de uma porta aberta que convide a entrar.
E para músicas de Verão, com batidas e refrões mais pipoqueiros que os filmes da estação.
Dá-me para sonhar acordada e achar que sou capaz de tudo mas que amanhã trato disso.Dá-me para fazer planos em cima do joelho e impulsos no último minuto.
Dá-me para renovar amizades, prolongar amizades, confirmar amizades.Gosto do fim da tarde quente. Dá-me para pôr o mundo em câmera lenta e limitar-me ao por do sol.
on 04 agosto 2010
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Trazia o cabelo preso numa trança e uma infinidade de missangas em torno dos pulsos.
Deitei-me a adivinhar-lhe o passado e presente.
Guardei para ela o futuro, que o saberá, melhor do que eu, ler na palma da mão.
No olhar de menina, a novidade do mundo.
No sorriso sincero, a alma gentil.
O bronze da pele lembrava-me os sonhos,
guardados e cuidados,
cultivados devagar.
Observava, ao largo, o gingar do mundo,
o balanço da multidão,
o compasso das ondas imaginadas.
E ver-se assim, reflectida no espelho, assustava-a de muitas maneiras, pelo impacto real de tudo quanto era e tudo quanto queria ser.
Deitei-me a adivinhar-lhe o passado e presente.
Guardei para ela o futuro, que o saberá, melhor do que eu, ler na palma da mão.
No olhar de menina, a novidade do mundo.
No sorriso sincero, a alma gentil.
O bronze da pele lembrava-me os sonhos,
guardados e cuidados,
cultivados devagar.
Observava, ao largo, o gingar do mundo,
o balanço da multidão,
o compasso das ondas imaginadas.
E ver-se assim, reflectida no espelho, assustava-a de muitas maneiras, pelo impacto real de tudo quanto era e tudo quanto queria ser.
on 28 julho 2010
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Ir.
Soltar as asas. Repensar as amarras.
Gravar o verde na retina, na memória, no coração.
Por caminhos direitos, por caminhos estreitos.
Começar nas ruas cheias de gente,
percorrer milhas contra a corrente.
Minutos medidos, perdidos, preenchidos.
Voltar.
Com o coração cheio, o sorriso aberto.
A vontade desmedida de querer voltar a fazer planos,
viajar, viajar, viajar.
Regressar com certezas onde haviam dúvidas.
E valorizar momentos passados, partilhados
e desmedidamente verdadeiros.
Ir onde o coração nos comanda.
Voltar onde sempre se pode começar do início.
Voltar de peito aberto para a guerra.
Sem receio.
Haverá sempre um novo "ir".
Soltar as asas. Repensar as amarras.
Gravar o verde na retina, na memória, no coração.
Por caminhos direitos, por caminhos estreitos.
Começar nas ruas cheias de gente,
percorrer milhas contra a corrente.
Minutos medidos, perdidos, preenchidos.
Voltar.
Com o coração cheio, o sorriso aberto.
A vontade desmedida de querer voltar a fazer planos,
viajar, viajar, viajar.
Regressar com certezas onde haviam dúvidas.
E valorizar momentos passados, partilhados
e desmedidamente verdadeiros.
Ir onde o coração nos comanda.
Voltar onde sempre se pode começar do início.
Voltar de peito aberto para a guerra.
Sem receio.
Haverá sempre um novo "ir".
on 09 julho 2010
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Na languidez do momento,
a estender os fios do tempo,
mergulhados e submersos na contagem decrescente.
a estender os fios do tempo,
mergulhados e submersos na contagem decrescente.
on 03 julho 2010
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Correu pelo corredor numa fúria desesperada.
Conseguiu fechar a porta mesmo a tempo, derrubando pelo caminho
Conseguiu fechar a porta mesmo a tempo, derrubando pelo caminho
... a jarra com flores
... o casaco pendurado no cabide
... e a réstia de qualquer sentimento que ainda lhe restava.
... o casaco pendurado no cabide
... e a réstia de qualquer sentimento que ainda lhe restava.
on 27 junho 2010
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E, hoje, de novo percebi.
Contigo os momentos perfeitos são sempre assim.
Doces, tão doces.
E uns atrás dos outros.
on 20 junho 2010
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"Se não podes restituir-lhes a vida, cala-te,
diante da morte não se querem palavras."
diante da morte não se querem palavras."
José Saramago, in O Evangelho Segundo Jesus Cristo
on 18 junho 2010
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Leio-te como um livro fechado.
Não preciso sequer de te abrir.
A tua história, sei-a de cor.
Não preciso sequer de te abrir.
A tua história, sei-a de cor.
on 14 junho 2010
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Os minutos e as horas apertados contra a multidão.
Tentam esgueirar-se, encontrar caminho, abrir caminho pelo impossível mar de gente que ondula em diferentes compassos e sabores.
Em fila, em gotas, em torrentes de palavras, de canções desconexas, de private jokes.
De copos cheios, de copos vazios, de corações ao alto para não se derramar uma única gota.
Tentam esgueirar-se, encontrar caminho, abrir caminho pelo impossível mar de gente que ondula em diferentes compassos e sabores.
Em fila, em gotas, em torrentes de palavras, de canções desconexas, de private jokes.
De copos cheios, de copos vazios, de corações ao alto para não se derramar uma única gota.
The Big Picture
on 04 junho 2010
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Descubro, ao acaso, peças do puzzle.
Não me lembro de as ter perdido nem consigo sequer imaginar como possam ter ido parar debaixo do tapete, ao bolso de trás das calças ou ao canto mais escondido da memória.
Algumas destas peças nunca as tinha sequer visto antes.
Outras mudaram de forma, com novos encaixes, perfeitos nas suas inusitadas curvas e contra-curvas.
Faltam-me ainda muitas peças.
Mas começa a não me preocupar a sua ausência.
Ao que parece, cedo ou tarde irão aparecer, ou tropeçarei nelas por acaso.
Não me lembro de as ter perdido nem consigo sequer imaginar como possam ter ido parar debaixo do tapete, ao bolso de trás das calças ou ao canto mais escondido da memória.
Algumas destas peças nunca as tinha sequer visto antes.
Outras mudaram de forma, com novos encaixes, perfeitos nas suas inusitadas curvas e contra-curvas.
Faltam-me ainda muitas peças.
Mas começa a não me preocupar a sua ausência.
Ao que parece, cedo ou tarde irão aparecer, ou tropeçarei nelas por acaso.
José
on 30 maio 2010
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Era um homem alto, recto. Raramente curvado. Caminhava direito, distinto da multidão. Não gostava do seu nome, da simplicidade estreita do seu nome que sentia sufocar tudo o que trazia dentro de si. Não gostava de tudo o que lhe era imposto, o que por vontade alheia era obrigado a aceitar.
A aparência serena, o discurso bem pensado. Tudo no lugar certo, da forma socialmente correcta, dentro das barreiras conformadas do expectável. Quando trocava dois dedos de conversa, era amável, educado, suficientemente preocupado e o necessariamente distante. Nunca trocava, em conversas de circunstância mais do que devia. Poucos lhe conheciam inconfidências.
No trabalho tinha colegas. No prédio de dois andares, o "bom dia" dos vizinhos.
A aparência serena, o discurso bem pensado. Tudo no lugar certo, da forma socialmente correcta, dentro das barreiras conformadas do expectável. Quando trocava dois dedos de conversa, era amável, educado, suficientemente preocupado e o necessariamente distante. Nunca trocava, em conversas de circunstância mais do que devia. Poucos lhe conheciam inconfidências.
No trabalho tinha colegas. No prédio de dois andares, o "bom dia" dos vizinhos.
E, ao fim do dia, chegava a casa e despia o fato e gravata. Despia o cinzento. Despia os limites que lhe impunham pela janela abaixo e punha a música tão alto quanto podia.
Last night and on this day
on 22 maio 2010
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Old familiar faces
A couple new places
And all the hot spaces
And a new day with kid's races
and laughter in heartfelt embraces
A couple new places
And all the hot spaces
And a new day with kid's races
and laughter in heartfelt embraces
...ainda as minhas coisas
on 17 maio 2010
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Maçãs verdes. Morangos. Cerejas. Fruta de Verão, fruta no Verão.
A familiaridade com que as minhas pernas sobem determinadas escadas.
Um "obrigado" sincero. Um "obrigado" sentido.
Momentos de clareza de espírito.
Molhar as bolachas no leite. E leite gelado.
Agarrar num livro e lê-lo com vontade (e aperceber-me de há quanto tempo não o fazia). Conduzir. Conduzir sem destino. Conduzir ao som da música que me move.
Fazer sacrifícios e saber que valeram a pena. Fazer sacrifícios e saber que não valeram a pena mas que aprendi com isso de igual forma.
Sonhar acordada. Dormir a sesta.
Ter histórias para contar e partilhá-lhas com quem quer ouvir, com quem gosta de ouvir.
E pessoas extraordinárias. Absolutamente extraordinárias.
A familiaridade com que as minhas pernas sobem determinadas escadas.
Um "obrigado" sincero. Um "obrigado" sentido.
Momentos de clareza de espírito.
Molhar as bolachas no leite. E leite gelado.
Agarrar num livro e lê-lo com vontade (e aperceber-me de há quanto tempo não o fazia). Conduzir. Conduzir sem destino. Conduzir ao som da música que me move.
Fazer sacrifícios e saber que valeram a pena. Fazer sacrifícios e saber que não valeram a pena mas que aprendi com isso de igual forma.
Sonhar acordada. Dormir a sesta.
Ter histórias para contar e partilhá-lhas com quem quer ouvir, com quem gosta de ouvir.
E pessoas extraordinárias. Absolutamente extraordinárias.
on 13 maio 2010
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O que eu dava para me levantar cedo esta manhã, ir à missa,
e voltar da Igreja com a cara que trazia o meu vizinho...
Queria era sentir-me ligado a um destino extrabiológico,
a uma vida que não acabasse com a última pancada do coração.
Miguel Torga
on 11 maio 2010
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As fronteiras.
As barreiras.
O limiar da nossa imaginação,
da nossa percepção e da nossa intervenção.
A capacidade de dizer não.
Sem reservas, sem receios, sem rodeios.
Ganhar de volta o ar suficiente.
Para seguir em frente.
De cabeça erguida, correr a corrida.
Ganhar a coragem, fazer a viagem...
...e regressar cansado, torturado...
... mas nunca vencido.
As barreiras.
O limiar da nossa imaginação,
da nossa percepção e da nossa intervenção.
A capacidade de dizer não.
Sem reservas, sem receios, sem rodeios.
Ganhar de volta o ar suficiente.
Para seguir em frente.
De cabeça erguida, correr a corrida.
Ganhar a coragem, fazer a viagem...
...e regressar cansado, torturado...
... mas nunca vencido.
"This is a story of boy meets girl. But you should know up front, this is not a love story."
on 07 maio 2010
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People don't realize this, but loneliness is underrated.
on 05 maio 2010
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Há dias em que te bastam uma cerveja
e cinco metros quadrados de sonhos e conforto.
Nos outros, queres o mundo que está lá fora.
Pegas na minha mão e voas como se o futuro fosse agora,
fosse aqui, fosse teu.
E eu sigo-te.
Seguir-te-ia mesmo de olhos fechados.
Seguir-te-ia a rastejar no asfalto,
a trepar muros infinitamente altos.
Mas nunca, nunca, te deixaria sozinho.
e cinco metros quadrados de sonhos e conforto.
Nos outros, queres o mundo que está lá fora.
Pegas na minha mão e voas como se o futuro fosse agora,
fosse aqui, fosse teu.
E eu sigo-te.
Seguir-te-ia mesmo de olhos fechados.
Seguir-te-ia a rastejar no asfalto,
a trepar muros infinitamente altos.
Mas nunca, nunca, te deixaria sozinho.