De lenço, forte, amarrado ao pescoço. Bandit style. Puxado para cima, apenas o olhar semicerrado frente ao rol de nevoeiro a sufocar o sol da manhã. Os nós da alma a perderem-se a meio do caminho, atirados para a berma sem dó nem piedade. Tomado de assalto. Perdido por cem, perdido por mil. Perdido por um.

É agreste, o caminho. Perigos feitos de pó e inimigos de setas escondidos em cada aperto de mão. O cavalo, cansado da corrida, segue. Galga quilómetros a rasgar o frio, o mar e as curvas todas do caminho.

Bandit style.

E orgulho nisso.

La carte postale m'attend

'Voici mon secret. Il est très simple: on ne voit bien qu'avec le cœur.
L'essentiel est invisible pour les yeux.
'

Le Petit Prince, Antoine de Sainte-Exupéry
Haviam pedras para escalar, caminhos tortuosos para percorrer
e o mar infinito da melancolia lá ao fundo.

Mas mesmo assim, ele conseguiu chegar-lhe ao coração.

...what a difference a day made



Sei-te aqui mesmo ao lado.
E sei-me no meu melhor.
E nunca me esqueço que te quero por isso ser um dado adquirido.
Penso-te.
Quantas vezes te penso?
Constantemente.
E tenho-te.
E tens-me também.

Viral is good

Falling.

The best of feelings.
O momento em que percebemos que o nosso sol irradia sobretudo de pessoas específicas é quando ele fica, subitamente, encoberto por nuvens.

2011. That's all, folks!

Alive. Santos. James na praia e dias e músicas a nascer dentro de nós. Crato.
Dias de praia. Perfeitos. Pé na água à noite. Imperiais, esplanadas e faz nenhum. Petiscos infinitos. Sedes e sedes. Pluralidades de uma só palavra. Pluralidades e partilhas em poucas palavras.
Ver o Puto Maravilha a crescer desmesuradamente e não o imaginar de outra forma. Ser tia a sério. E ser tia emprestada.
Private jokes, private stories. A família sempre aqui. A outra família, a que escolhemos, cada vez mais, aqui. Momentos importantes na vida dos amigos. E fazer parte deles.
A luz de Lisboa: ao amanhecer, ao entardecer. Continuar a andar sem chapéu de chuva.
Mensagens matinais (demasiado matinais). Mensagens SOS. Mensagens só porque sim. Mensagens, sim.

Gavetas. Arrumadas. Desarrumadas. Arrumadas. Desarrumadas. Whatever.
E terminar como se começou: sorrir e acreditar.
Diz-se que comprou o traje, a estrear, para a festa de luz, de uma qualquer luz que ela espera que venha mas não sabe de onde.
Não sabe ainda se o usará, a esse traje.
A usá-lo, seja com orgulho, distinção, sem receios de vincos mais marcados que possam transparecer da alma por entre a renda da blusa.
E que sorria enquanto adormece ligeiramente, enquanto entorpece os sentidos.
Diz-se que tropeça nos gestos porque, por uma vez, não tropeçou nas palavras e decidiu-se, rubor na face, a dar passos rumo a quem queria.
E, prestes a ver-se, uma vez mais, ao espelho, no espelho dos olhos dos incondicionais que lhe pautam a vida, diz-se que tenta sorrir.
E consegue, até.
Diz-se, também, que a tristeza bravia, a que já tentou afastar, arrumar, assustar, expulsar e até, em desespero de causa, adotar, tem raízes mais profundas do que imaginava.
Mas, diz-se, que vai tentar vestir o traje. E o sorriso. E permitir-se sonhar.
Sei-te aqui mesmo ao lado.
E sei-me no meu quase pior.
E quase me esqueço que te quero por isso ser um dado adquirido.
Penso-te.
Quantas vezes te penso?
Pouso a cabeça na mão e penso-te.
Constantemente.
Penduro, na corda, a alma a secar.

Chega de lágrimas.
Escrevo-te cartas que rasgo.
Cartas que não lês.
Queimo-as, às vezes.
Com as minhas próprias mãos,
Com o fogo que me consome
pelas cartas que te escrevo.

Todo o tempo do mundo

Sinto que tenho todo o tempo do mundo, hoje.

Tempo para escrever em ti e por ti as palavras que me rasgam a pele, roçando a verdade, ao saírem por cada poro, por cada olhar. Espraiam raios de luz que incandeiam os olhares bravios que se aventuram a deixar apenas de olhar para baixo, deixar apenas de olhar em frente.

Por isso, tenho todo o tempo do mundo para ti, hoje.
Para te mostrar os abismos por onde passaste sem os teres notado, seres marinhos milenares, cegos na profundidade de ti.
Para parar, mesmo quando o semáforo ainda está laranja, para deixar passar os peões, os bispos, os cavalos e as torres. A rainha que os coma a todos. Cheque ao rei.
Para olhar para o relógio que parou há meses e para lhe acertar o passo.

Tenho todo o tempo do mundo para ti, hoje.
Para responder a cada ponto de interrogação, para sonhar contigo a cada ponto de exclamação, para fazer lânguidamente contigo todas as vírgulas, corpos unidos no balanço que a nossa sintaxe já conhece.

Tenho todo o tempo do mundo para lamber as feridas, aparar os golpes.
Todo o tempo para desperdiçar a 6ª, a entrar no sábado pelo domingo adentro.

IF



IF you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:
If you can dream - and not make dreams your master;
If you can think - and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools:

If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: 'Hold on!'

If you can talk with crowds and keep your virtue,
' Or walk with Kings - nor lose the common touch,
if neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that's in it,
And - which is more - you'll be a Man, my son!

"If", de Rudyard Kipling
'incorporado' por Dennis Hopper
I put on my cloak and embrace myself to face the weather:
they said it was gonna rain.
So here I stand, come what may.
And yet I realize, while thunder bursts and shakes the earth,
I'm only running to stand still.

O Rio

O rio, um espelho.
Mesmo eu, de costas voltadas, consigo vê-lo, senti-lo.
Sabê-lo na sua multiplicidade de prata no rosto de quem passa, nas lágrimas de quem se esconde.

Chora por dentro, este rio. Uma torrente negra-lama, dos sonhos desfeitos e das ruas sem saída.
Leva consigo: os barcos, a ponte, as casas, as almas.

Preparo-me para lhe fazer frente. Para rasgá-lo a meio (corte profundo de veias), galgando-lhe as ondas e os motins despropositados.

Sei-te bravio. Mas sei também essa cara valente que teimas em mostrar.
Conheço-te a moldura, o enquadramento, a esquadria e as marés.

Chora sem quem houvesse amanhã, rebenta de encontro a cais abandonados por cães vadios.
Impede o teu leito de correr na direção certa, no sentido suposto.
Contraria a vontade lancinante e faz da foz o teu renascer.
Envolve-te com o mar, enleia-te com a verdade, deita-te com quem quiseres.
Mesmo que te chamem fácil.

Mas não desistas de mim.
Porque em ti, esse espelho.

Para ti

Se por acaso te lembrares de passar por aqui...

... do que é que estás à espera?
Who will I tell my stories to if you ain't there to listen?
And if I'm 'stuck under september', how will I find my way out?

The nights, the stars, the kisses
Countless under my pillow.

Will you come to me?
Will you stay?

(guess I should write my stories down, just in case)

Da subjetividade do óbvio

Existe A. E existe B. Somados, fazem C.

Para mim é importante perceber como surjiram o A e o B.
Porque é que têm de ser eles a ser somados e porque é que só eles perfazem C.
É importante perceber como chegámos ao A e porquê.
Porque é que o B está naquele sítio específico onde temos que o ir buscar.

Só assim, além de saber somar A com B saberei como e porquê cheguei ao C.
A isso, a esse óbvio que passa ao lado de demasiada gente, chama-se aprender.
Verdadeiramente.

Para além disto só tenho a acrescentar o óbvio: "Senhor, dai-me sabedoria para suportar algumas pessoas, porque se me dais força, parto-lhes o focinho".

"Everything is..."

Longing to breathe. Waiting for the moment when I (almost) run down the street, music in my head, heart up my sleeve. Leaving all troubles behind, in a drawer, while tourists take their perfect pictures, while tram cars go by, while the bridge frames what still remains of the sun.

Shut down. Reboot. Restart.

Steps become the inner rhythm of my blood stream, making sure my heart still beats.
The head is in its right place. The heart is a mess all over.

Queimado. Renovado. Consumido.
A regenerar-se a cada esquina.
Perdido. Demorado. Quase a chegar.
Não te saberia de outra maneira.
Mas enquanto vens ou não vens
Saboreio-te a promessa vã.
De sangue na guelra.
Mergulhos perfeitos.
Na ponta da língua.
A pergunta.
E a resposta.

Nunca.
Nem eu te saberia de outra maneira.

O paraíso, somos nós que o criamos.


Tudo num só dia

Acordar cedo.
Mergulhar no mar antes das 9h.
Ficar ao sol num recanto paradisíaco.
Brincar na água. E na areia.
Quase adormecer.
Almoço de Verão. Inesperado.
Salada de pimentos.
Um furo novo só porque sim.
Calor sufocante, Marginal de janela aberta.
Conversas a rir antes de chegar ao destino.
Um Varadero.
Noite. Calor. Sushi.
James. Na praia.
A música, a catarse.
Molhar os pés na água e ter inveja de quem se atreveu a mergulhar.
Algumas gotas de chuva a cair no copo de cerveja.
Regresso pela Marginal, ainda o calor.
Perdida em pensamentos. Com um sorriso.
Amigos. Amigos. Amigos.
Tudo num dia só.

MOVE




(perfeito, isto, não é?)

Monday came like an underwater strike
Smooth and steady,
its harpoon,
Took me up for a ride

On Tuesday I saw the light of the sun
Surfacing the sea
But I kept doubting its reflection
It seemed dubious to me

Wednesday I finally gathered the courage
To take a deep breath
Closed my eyes and prayed
"Is this all over yet?"

Thursday I just couldn't believe it
I was floating, well alive
I could already see the shore
Blissfully waiting for me to arrive

On Friday I finally reached the sand
No castaways to be seen
They were already up on the hill
For their souls to be swept clean

Saturday breezed and Sunday came
I closed my eyes
wishing it wasn't so
But Monday came, yet again,
And on the ocean I stand alone

(so...here we go again)

Fora de brincadeiras...amar Lisboa :)

Lisbon as a Toy | Lisboa a Brincar

Da beleza dolorosa dos finais

"I wake to a dark hour out of time, go to the window.
No stars in this black sky, no moon to speak of, no name
or number to the hour, no skelf of light. I let in air.
The garden's sudden scent's an open grave.
What do I have

to help me, without spell or prayer,
endure this hour, endless, heartless, anonymous,
the death of love? Only the other hours -
the air made famous where you stood,
the grand hotel, flushing with light, which blazed us on the night..."

in Over, Carol Ann Duffy



Pudesses ver os meus olhos de serras que em desalinho a estrada conduz,
vasilhas de barro na anca, curva anciã da distante ousadia.
Tem tento na língua que embala e seduz,
luzernas ao longe no eco das fontes e a sombra vadia.

Vejo o sol que se põe nas entranhas da terra,
sigo-lhe a luz cega, despojos vivos da guerra.
Até ao extremo oposto da suposta simetria,
quebro-lhe os medos no cantar da cotovia.

Encosto a porta que dá para a rua de ervas e palhas, infinitos e vinhas.
Este noite durmo sobre as telhas, coberta na noite, sem olhares das vizinhas.

"What can stars do? Nothing...but sit on their axis!"
Charles Chaplin


He asks: "Was I in your dreams?"
I answer: "No, I dream you not."

I silence these words: I dream you not. Because of you I didn't get a minute's sleep.