De modos que é isto.

Os passos, uns a seguir os outros, e a surpresa ridícula de sentir vento frio na cara.

Dar por mim a sorrir para os turistas, a trautear músicas enquanto subo ladeiras e a olhar de frente o rio da alma de cada um que nem gente grande. Sentar-me em sítios novos e absorver as esquinas das mesas, as curvas das conversas e o corpo do vinho. Brincar à apanhada e pisar só as pedras azuis da calçada. Soprar com toda a força do meu pensamento e ver nuvens moldadas nas formas que quero. Ouvir fado e piano e palavras soltas e sussurros e dores escritas em garrafas cheias de lágrimas.

E ter saudades e matá-las logo a seguir.

De modos que é isto: há, no fim de contas, muita vida a pulsar nas veias.

6 comments:

I disse...

E não é isso estar vivo? Estar acordado para absorver o que está à nossa volta, tudo o que nos transmitem os sentidos? Desejo-nos muitos dias assim!

Lina disse...

De olhos e coração bem abertos!
:)

Blogadinha disse...

Sangue novo.
Vida boa!

Como todos os caminhos deveriam ser.

Lina disse...

Sangue a ferver.
Vida a aquecer.

Como todos os minutos lutam para ser.
:)

CarMG disse...

Pisar apenas as pedras azuis da calçada!
Pisar as riscas brancas da passadeira. Apenas.
Apenas seguir os trilhos azuis do ladrilho.
É um sarrilho, querer seguir todo pulsar venoso que, no fim de contas, esteve sempre lá! Mesmo quando pupulando de mansinho.

Lina disse...

Pisar fora do risco, contra todas as regras quadradas e enfadonhas que alguém se lembrou de estabelecer?