Ponho a música nos ouvidos. Na cabeça. No coração.
Tudo à volta se cala.
Na areia que aquece,
no mar que, incessante, estremece,
todos se movem ao ritmo do meu som.

E o som sobe - a temperatura também - e sinto que cada grão de areia está exactamente onde deveria estar. E cada olhar pousa exactamente no centímetro de pele onde não devia pousar.

Da praia vazia resta uma vaga ideia (e uma foto também).
Todos se movem agora sob o círculo perfeito da minha música. Todas as ondas acertam o compasso. A ínfima brisa desafia, em vão, o rebordo de cada chapéu de sol.

Inacreditável...
Que toda a energia que emana do sol e do mar pareçam entrar-me pela pele adentro.
Há quanto tempo não te sentia assim?
E as saudades deste sabor?
Da leveza do corpo suspenso no infinito à minha frente.
E o frio da água quando mergulho de cabeça, poucos segundos depois de ter apenas molhado a ponta dos pés.
Nunca gostei de esperar quando estou frente ao mar.
O desejo é demasiado para esperar que todas as ondas passem ou que deixe de sentir o arrepio.
Vou pousar a caneta. Vou só ali ao mar e já volto.

2 comments:

CarMG disse...

E agora o que é preciso é voltar! E nada de desculpas de "tenho sono"!
Nunca se sabe quando poderá ser o último mergulho de Verão :)

Lina disse...

E a vontade de regressar é grande.
O que por si só é muito bom sinal.
Sem desculpas.