Bateu com a porta - perspectiva #2

Bateu com a porta.
De tal maneira que tudo estremeceu. O chão, os vidros, o seu peito. Foi a maneira que encontrou. A saída mais simples.
Porque já não sabia lutar. Ou talvez se tivesse esquecido. De lutar pelos laços que tinham criado, mantido, construído.

Nunca ninguém lhe disse. Excepto ele. Mil vezes, quantas mais? Tantas vezes o repetiu, até ao silêncio. Até ficar sem voz, até perceber que ela já não sabia lutar, já não queria lutar.

E tentou sozinho.
Queria, naquele instante, correr atrás dela, apanhá-la, agarrá-la. Beijá-la profundamente, como se isso fosse a solução. Como se isso fosse a saída. Mas ficou sentado, à espera das lágrimas que não chegavam. E deixou partir aquele ser estranho, que se tornou um estranho.

E na estanheza de tudo, na estranheza dos dois, não sabia se era essa a saída.

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